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Daniele Britto

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18/9/2009 10:26:27

Feira de carne e osso

Feira, definitivamente nunca foi e nem pretende ser princesa

Daniele Britto

Daniele Britto


daniele@bahiaagora.com.br

Ela não é e nunca foi Princesa. Se fosse uma mulher, Feira seria uma lavradora, uma fateira do Centro de Abastecimento, uma vendedora de rua, uma gata borralheira, de cabeça e pensamentos erguidos.

Ser princesa é muito fácil. Um belo sorriso, um bom vestido, sombra e água fresca. Mas Feira cheira a suor e se cansa ao entardecer. A lida diária é árdua e a cada dia o sacrifício tem que ser redobrado.

Feira é mãe de muitos filhos e se fosse uma mulher de verdade, sovaria alguns deles com a autoridade de uma matriarca que não aceita nenhuma desculpa para o desrespeito, mentira e falta de vergonha. Choraria a saudade de outros e nunca esqueceriam os que a história teima em apagar. Feira, sem dúvida, teria parido todos eles de parto normal. Feira, certamente entende de dor e alegria.

Feira se fosse mulher, teria o sobrenome de Santana, é verdade. Mas a fé em si mesma seria maior do que qualquer outra coisa. Não por se achar santa, mas por acreditar na força das suas calejadas mãos e ombros robustos, que carregam mais de um século de lutas e história.

A mulher personificada em Feira seria hoje, uma velha senhora, simples mas elegante com os seus cabelos brancos, usando vestido de botões pérola, sandálias confortáveis e diria sempre que aprendeu que o silêncio é um discurso que devemos fazer ao menos uma vez nas nossas vidas.

 Hoje, se fosse de carne e osso, Feira olharia para si e veria que a pequena menina que corria na vila tornou-se uma mulher. Teria na sua pele a luz de tantos sóis e a serenidade da noite morna, quieta. Gostaria, creio, de suco de tamarindo, comida com pimenta e farinha.

Feira seria uma sábia, prudente, de sorriso discreto e voz grave. Feira não olharia com distinção as suas partes, mas homogeneizaria todas as suas diferenças em seu seio, numa linda e inesquecível canção de ninar.

 

Parabéns à minha cidade. Minha majestade sem coroa. À minha essência e verdade.


 

Olavo escreveu:
Feira certamente tem orgulho de ser sua mãe Daniele. Parabéns
Lila escreveu:
Me emocionei. Muito lindooo seu texto
Eduardo Leite escreveu:
Parabéns também a essa filha inteligente, atenta e participativa que não segue o exemplo das irmãs e irmãos omissos e acomodados dessa mãe centenária, sofrida, enganada e traída por alguns filhos e não filhos que se dizem agradecidos a ela e que dela aproveitaram-se e sugaram indevidamente o leite dos irmãos mais necessitados.Parabéns a você Daniela, filha que engrandece essa terra mãe.
Lucia escreveu:
Parabéns Daniele, eu como filha adotiva de Feira, tb me emocionei, com o perfil tão lindo e verdadeiro, traçado por vc.
Gilson Dultra escreveu:
Daniele, confesso q li seu texto por ñ ter gostado do título (ou do sub)... mas sua poética-prosa me fez concordar com ele... Parabéns! À nossa cidade!!!
joaquim brandao escreveu:
Cara jornalista, Nao foi surpresa ao ter mais um belo texto parido por essa mente sempre privilegiada no uso das palavras...nao a conheço..mas por ser um filho da nossa querida feira e ter nascido aos 18 dias tambem de um mes de setembro me emocionei com tao sincera homenagem de uma irma/conterranea..parabens!
Anselmo Góes escreveu:
Não entendi sua lamúria! Feira será cada vez melhor e Rainha, desde quando implementemos ações de desenvolvimento sustentável, que contemple entre outros, a urbanização, a geração de emprego e renda, um arcabouço de ações que incentivem a formalização das empresas, com acesso fácil aos autõnomos. A implantação de verdadeiras áreas de lazer e entretenimento que não se reduzam a um"cachaçódromo", a implantação de uma guarda municipal eficaz, um transporte coletivo melhor e mais acessível. Com verdadeiras escolas de tempo integral e integrado, e é claro, cada vez mais e mais Transparência Pública. Feira será cada dia melhor! Deixa de pessimismo menininha bonitinha.
Angelo Almeida escreveu:
Dani! Com este texto, presenteando a todos nós feirenses, peço-lhe licença para considerá-la a Georgina Erisman da minha geração! Viva a Feira, pela escrita de Dani Brito! Parabéns a você, parabéns a esta nossa Feira que vc nos mostrou!
Antonio Marcos escreveu:
Ao ler o texto observo que vc pretende mandar um recado para alguém de quem guarda muito rancor. Essa ira com que escreve fica deveras ululante,talvez um dia consiga fazer isso de forma mais sutil e menos óbvia, mas isso só o tempo fará. A propósito, qual o problemas com as belas mulheres? Elas não podem ser guerreiras e heroinas? Porque o preconceito? A minha é linda, dá conta de tripla jornada e é de verdade e eu a amo muito.
peregrino escreveu:
Não sei não, mas voce esconde tanta coisa por traz dos seus textos que eu fico pensando! será que voce ama mesmo? coitado de quem vive ao seu lado.
joana escreveu:
Não conheço vc, mas seus textos são muito bons e seus posicionamentos deveriam servir de exemplo para os chupins do poder que se sentem no direito de viver agredindo os "escritores da liberdade" para continuarem ganhando as migalhas do poder. Siga em frente! Vc é muito boa no que faz!
Heloisa escreveu:
Quanto pessimismo, fatalismo...Feira ainda é tão jovem, cresce sim e ainda ha muito que crescer, desevolver. Como sempre, nao gosto dos seus textos. Quanto fatalismo...quanta melancolia...
Heide Helena escreveu:
Que texto primoroso!!!! Não me surpreendi com as atitudes dos invejosos de plantão... pelo amor de Deus libertem-se destas mentes tacanhas e evoluam !. Parabéns Dani !!!!!
GP escreveu:
Daniele, vc é muito talentosa. Parabéns pelo belíssimo texto.

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